
PARTE 1
SURGIMENTO DA BANDA NEÓFITOS - OS INTEGRANTES, ALGUNS AMIGOS E DROPS HISTÓRICOS DA BANDA RÁDIO AO VIVO
POR: ISAAC RONALTTI
Todo garoto já deve ter sonhado um dia em pertencer a uma banda. Reunir uns amigos... que pensem coisas legais... parecidas (isso não significa que sejam iguais), falar do que pensa, propor insurreições, revoluções, ou, de maneira despretensiosa arranjar um bom motivo para reunir a galera, falar umas besteiras, contar histórias, falar de neuras pessoais. Para um garoto, o que precisa ter e saber pra montar uma banda é muito pouco: basta aprender umas quatro notas, comprar um violão velho, uma BNB (uma bateria que mais parece uma panela), ou então dar um jeito de roubar os tambores e bumbos velhos da fanfarra do colégio que você estuda. Isso é que torna o ROCK em ROLL, é isso que faz as pedras rolarem, que abre as portas da mente, que faz com que o sangue esquente, falte o fôlego e justifique toda pulsação que há neste ritmo. É isso que faz com que adolescentes se reúnam, na maioria das vezes sem saber tocar, e montem uma banda para atormentar vizinhos, familiares, mas sempre sendo a força motriz que faz com que as crianças, os adolescentes, os idosos, homens, mulheres, até os narigudos (em homenagem ao Elton) acreditem e montem uma banda.
Vou contar alguns fragmentos da história da banda Rádio ao Vivo ocorridas ao longo destes quatro anos de existência. Poderia fazer uma descrição cronológica chata e enfadonha – isso se encaixa melhor em artigos científicos, que embora sejam interessantes, costumam ser cansativos. Resolvi contar esta história falando de amigos, desafetos, companheiros de lutas. Isso me fez acreditar cada vez mais que, sim! Somos uma banda! mas que antes de tudo sempre fomos uma família, todos que de alguma forma colaboraram, passaram pela banda, apoiaram, criticaram e até aqueles que tentaram, por diversas vezes inclusive, mutilar, botar pra dormir, entregar as vísceras aos abutres – assim como Zeus fizera com Prometeu – deste humilde, desatento amigo que vos escreve.
Tentei colorir o texto, deixar as coisas alegres – assim como meu amigo Anderson – popularmente conhecido nas ruas de Porto Velho como “garrafinha” - pensa coisas relativas a bandas. Isso também não quer dizer que estas linhas vão ser coloridas de cor de rosa e sonorizadas com todo o arsenal maldito de músicas de bandas EMOCORES – no dicionário do Gabriel da Scrooff, EMOCORE aparece como HARDCORE MELÓDICO. (risos)
Só lembrando que este material é um texto apologético da banda Rádio ao Vivo, portanto, não serei imparcial, engrandecerei e homenagearei esta banda, puxarei saco, os amigos riam disso, os inimigos se martirizem ao ler. (Luiz não perca seu tempo lendo isto, mas se o fizer, publique estas linhas no “Fundo do Mundo”). (risos)
Só lembrando que este material é um texto apologético da banda Rádio ao Vivo, portanto, não serei imparcial, engrandecerei e homenagearei esta banda, puxarei saco, os amigos riam disso, os inimigos se martirizem ao ler. (Luiz não perca seu tempo lendo isto, mas se o fizer, publique estas linhas no “Fundo do Mundo”). (risos)
Pelos idos de 2003, Isaac, Kurimori, Bruno, com as colaborações do amigo Panda tiveram a nefasta idéia de criar uma banda. Na época, estávamos na Igreja Metodista, mas com certeza a Igreja Metodista não estava em nós – com o devido respeito, descobrimos a grande potencialidade da instituição citada em fabricar, e ainda, colaborar com a formação de pessoas, inescrupulosas, preconceituosas e conspiradoras, no mundo das igrejas evangélicas essas pessoas são conhecidas como “sepulcro caiado”, ou seja, pessoas aparentemente boas, dóceis, cheias da candura peculiar aos servos do senhor, mas que por dentro estão cheias de muita podridão, mas essa é outra história. Tentamos concretizar a idéia de montar a banda ainda no mesmo ano, mas não conseguimos. Até que em abril de 2004, nascia de fato a banda. Vindo a existir inicialmente com o nome de Neófitos – assim como realmente éramos, um grupo de garotos trazidos para um novo mundo, recém chegados a uma nova idéia – não é nenhuma referência à cachaça.
A tia Edna, como chamávamos, mãe do Kurimori, Historiadora e professora competente – fui aluno dela quando estudei no João Bento da Costa, muito conhecida na Zona Sul de Porto Velho, principalmente por na época lecionar nas escolas João Bento da Costa e Vicente Rondon, nos apoiou muito: ajudava-nos a organizar rifas, festas para levantar fundos para custear os instrumentos, simplesmente uma pessoa incrível; sem falar na vó do Kurimori, a Dona Ana, um amor de pessoa, mas não titubeasse pois ela era expert em dar aquelas respostas, ás vezes lembrava até o seu lunga.
Depois de dar um trato no quarto do Kurimori (observe a decoração na foto), começamos a compor e ensaiar. Infelizmente as coisas não estavam fluindo, nosso primeiro baterista, o Agredson, sujeito bacana, embora não compreendesse o que estávamos tentando produzir – enquanto tocávamos um punk tosco, de notas resumidas, o Agredson tentava enfiar um toques de bateria à la umas dessas muitas trupes de Forró Bodó que existem em qualquer esquina do país. As coisas não andavam bem, resolvemos então “demitir” o Agredson, com a nobre justificativa de que não estávamos conseguindo acompanhar o ritmo dele, afinal, já havia bastante tempo que o Agredson tocava em igreja, e realmente ele, assim como o Bruno também tinha muito mais conhecimento musical do que eu e o Kurimori.
Numa tarde de sol, eu e Kurimori andávamos pela saudosa Jatuarana, chegando a Praça da Pirâmide encontramos um magrelo, neguinho, com uma marca no braço aparentando ser de fratura exposta sarada há pouco tempo. O cara era o Buiu. O Kurimori já o conhecia de longa data, foram vizinhos e amigos de infância. O Kurimori havia ficado sabendo que o Buiu estava aprendendo a tocar bateria na Igreja Quadrangular. Perguntamos do Buiu se ele não queria fazer um teste, ele respondeu que aceitaria, mas nos advertiu que ele não sabia tocar, até porque o pessoal da igreja não deixava. Pois bem, fomos até a casa do Kurimori, pedimos para que o Buiu acompanhasse na bateria o barulho que estávamos fazendo com a guitarra e o baixo, de alguma maneira aquilo tudo ficou legal, e o Buiu destruiu na bateria. Chegamos até ele e falamos: “pow bicho tu não falou que não sabia tocar!”, o Buiú respondeu: pelo menos eu falei e vocês que não falaram. A partir de então o Alex Pablo, mas conhecido na Zona Sul e em toda Porto Velho como Buiú, era o baterista oficial da banda Neófitos; estava montada a banda. Ah... só lembrando, antes de realizarmos o teste com o Buiú, tentamos encaixar na banda o “Mendigo”, não sei onde o caminho da vida levou o garoto, era gente fina.
Ficamos compondo e ensaiando de abril até junho, foi quando fizemos uma rápida apresentação numa igrejinha lá no final do Conjunto Guaporé, apresentando uma música – “Ingratidão”. Nossa primeira aparição aconteceu mesmo no final de Junho de 2004 na extinta Oficina do Rock, o templo mágico do rock em Porto Velho – por sinal, era aquela a nomeada “antepenúltima festa na oficina”. A apresentação foi bem legal, cheia de energia, além do cubo estourado do Daniel da Semáforo 89, que soube entender nossa inexperiência, e ainda deu uma força na nossa primeira apresentação. Nessa época conhecemos o Rafael, um cara bem legal. Havia pouco tempo que seu pai tinha falecido. Os Rafa’s (o Rafael e a Rafaele) passaram por uma época difícil, talvez superada com nossas brincadeiras – algumas delas macabras, como a de decorar o quarto do Rafael com cruzes de mármore roubadas do cemitério, pensando nisso... nunca atentei para o fato de que tínhamos uma preocupação especial com a decoração dos quartos, ainda tenho essa mania. Nessa época compomos muitas músicas, uma delas foi “Câncer”, em razão da morte do meu avô, da morte do pai do Rafael, além da Leucemia que acometeu aquele que seria nosso vocalista – o Igor. Percebemos que muitas pessoas ao nosso redor estavam com câncer, ou tinham falecido devido à doença. Talvez esse fator tenha influenciado muito na nossa forte relação de amizade. Nessa época também escrevi “Fossa Celestial”, na verdade era uma carta rimada, que fiz em homenagem a uma senhora – evangélica e extremamente preconceituosa - que ficava na Biblioteca da Escola Estudo e Trabalho, umas rimas sacanas desenvolvidas em 10 minutos, enquanto estava sentado numa mesa da biblioteca da escola anteriormente citada. O Rafa tinha um talento especial para a escrita, deu uns toques legais na construção de algumas músicas – pensamos até em colocá-lo na banda, mas ele não sabia cantar, muito menos tocar algum instrumento. Tentamos resolver o problema, inventando um instrumento que o Rafael pudesse tocar: um dia qualquer, de uma semana qualquer do ano de 2004, na casa do Rafael, chegou seu sobrinho, observamos que ele trazia um boneco do Mickey, o guri havia furado o dedo do boneco, botava a boca no dedo do boneco e assoprava, quando fazia isso emitia um som legal. Levamos o boneco até o Rafael e pedimos para que ele assoprasse, caso ele conseguisse, estaria na banda. O Rafael conseguiu, nomeamo-lo o “tocador de Mickey” da banda – infelizmente a idéia não vingou. (risos)
Nas últimas festas da Oficina do Rock, conhecemos o pessoal da K.O.D. (Knights of Destruction – os cavaleiros da destruição). Estava acontecendo uma reunião para a organização da penúltima festa, quando chega três guris na porta dizendo que tinham uma banda e que queriam tocar – lembro da cara de Psicopata do Anderson, das risadas do Hermes e do olhar de maníaco do Elton. Inicialmente, não fui muito com a cara deles não. Mas os caras eram legais, ficávamos horas conversando a respeito de música nas proximidades da Oficina do Rock e em frente a Roberto Simon Jóias. Lembro de um dia estar conversando sobre nomes esquisitos de banda. O Anderson começou a citar os nomes que ele havia pensado para banda deles, entre eles “Pára-raios do Além”. O Rafael disse que não queria mais tocar Mickey conosco, resolveu então virar baixista da KOD, que pouco tempo depois mudou o nome para MAMUTH. Sinceramente, nunca imaginei que iria tocar com o Elton, mas o que são os caminhos maléficos da vida...
CONTINUA...
4 comentários:
estou esperando o próximo capitulo.
See Please Here
muito legal... to ficando até EMOcionado com toda essa história, relembrando os fatos e toda essa experiência incrivel. Só pra ser chato e corrigir o Isaac, na verdade quando nos conhecemos foi na última festa da oficina do rock, acho que foi no dia 31 de junho de 2004, no qual a K.O.D. se apresentou muito bem improvisada (nosso baterista teve que ser afastado uma semana antes, com problemas no ouvido), tocamos com 3 bateristas que não sabiam as músicas e nunca tinham ensaiado conosco. Lembranças são sempre ótimas para nunca esquecermos que fomos e quem poderemos ser.
aguardo o próximo capítulo...
abraços
Ps: Elton Costa Postando
ei
segue minha parte da história no nosso blog...
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